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OS NUTRIENTES NOS ALIMENTOS

Os Nutrientes nos Alimentos dos Animais de Estimação

A saúde nutricional de um animal de estimação depende das quantidades e proporções corretas de nutrientes que ele recebe dos seis grupos requeridos: água, proteína, gordura, carboidratos, minerais e vitaminas. Com a exceção da água, os Alimentos para cães e gatos comerciais identificados como 100% completos e balanceados contêm todos estes nutrientes requeridos. Tais nutrientes também estão presentes nas proporções apropriadas. Tão importante quanto estes nutrientes é a água potável limpa e fresca que os donos devem fornecer aos seus animais de estimação a fim de que todas suas necessidades nutricionais sejam atendidas.

Energia

Embora a energia não seja um nutriente, os animais têm necessidade de energia e atendem à ela consumindo carboidratos, proteína e gordura dietéticos. A energia é medida em calorias e uma caloria é definida como sendo a quantidade de calor requerida para elevar a temperatura de um grama de água de -10.0ºC a -9.4ºC. Como esta quantidade de calor é tão pequena, é comum descrever as necessidades de energia e o teor de energia dos alimentos em quilocalorias (1000 calorias = 1 kcal). O termo caloria é empregado, freqüentemente, para referir-se à quantidade de energia em 1 quilocaloria.

A energia constitui um regulador fundamental no consumo de alimentos na maioria das espécies. A energia, na forma de calorias, proporciona a força impulsionadora nas reações metabólicas e permite o uso de todos os outros nutrientes. Ela também fornece o calor para manter a temperatura corporal normal. A fim de estimar os valores energéticos dos nutrientes para as rações dos cães, os seguintes números podem ser empregados:

  • Carboidratos: 3,5 kcals/grama

  • Proteínas: 3,5 kcals/grama

  • Gordura: 8,5 kcals/grama

Nos cães tais valores são considerados estimativas para se prever a energia metabolizável de uma dieta.

Medindo a Energia

Os animais não são capazes de extrair toda a energia total ou bruta de um alimento. Por causa disto, o teor de energia de um alimento é medido de diversas maneiras.

  • Energia bruta (E.B.) = teor de energia total de um alimento medido por bomba calorimétrica

  • Energia digerível (E.D.) = E.B. - energia nas fezes

  • Energia metabolizável (E.M.) = E.D. - energia na urina

O teor de energia bruta (E.B.) de um alimento é determinado queimando-se, completamente, o referido alimento até seus últimos produtos de oxidação: dióxido de carbono, água e outros gases. O calor liberado é considerado como sendo a E.B. do mencionado alimento.

O teor de energia digerível (E.D.) de um alimento é a quantidade de energia contida no alimento que o animal é capaz de absorver. Ele é determinado através de experiências de alimentação de animais, nas quais a E.B. contida no alimento que o animal come é medida juntamente com a E.B. perdida nas fezes do animal. A diferença entre estes dois valores representa a quantidade de energia que o animal digeriu e absorveu. O teor de energia metabolizável (E.M.) de um alimento representa a quantidade de energia contida no alimento que o animal efetivamente utiliza. Ele é determinado por uma experiência de alimentação de animais, na qual a E.B. contida no alimento que o animal come, juntamente com a E.B. presente nas fezes e urina do animal, são medidas. A diferença entre a E.B. contida no alimento consumido e a E.B. excretada nas fezes e urina combinadas representa a quantidade de energia disponível para uso do animal. Quando o teor de energia de um Alimentos para cães e gatos é indicado na embalagem, ele o é em termos de E.M.

INFLUÊNCIAS SOBRE AS NECESSIDADES CALÓRICAS

Estado Fisiológico

Em comparação com um cão adulto, um filhote em crescimento requer até duas a quatro vezes mais energia por quilo de peso corporal. À medida em que o filhote se aproxima da idade adulta, as necessidades calóricas para a manutenção vão sendo reduzidas. No caso das fêmeas prenhes, as necessidades calóricas no final da gestação e durante a lactação inicial podem ser duas a quatro vezes maior do que aquelas requeridas para a manutenção do animal adulto.

Diferenças de Raças

Tipicamente, os cães de raças pequenas crescem até um peso maduro, que chega a ser até 30 vezes maior do que seu peso ao nascimento. A categoria de cães de raças pequenas inclui cães cujo peso corporal maduro é inferior a 9 kg. A categoria de cães de raças médias inclui cães maduros que pesam entre 9 a 20 kg, enquanto que os cães de raças grandes incluem cães maduros que pesam 20 a 45 kg. Os cães de raças gigantes crescem até um peso corporal maduro acima de 45 kg.

Os cães de raças grandes, que crescem rapidamente, requerem menos alimento por quilo de peso corporal do que os cães de raças pequenas. Para relacionar as necessidades de energia ao tamanho corporal, os padrões de energia para cães são, usualmente, estabelecidos através do peso corporal. Os animais individuais podem variar muito em relação a tais padrões.

  • Cães com pesos corporais maduros abaixo de 9 kg requerem cerca de 50 kcals de energia metabolizável por quilo de peso corporal por dia.

  • Cães com pesos corporais maduros entre 9 e 20 kg requerem cerca de 30-40 kcals de energia metabolizável por quilo de peso corporal por dia.

  • Cães com pesos corporais maduros acima de 20 kg requerem cerca de 20-30 kcals de energia metabolizável por quilo de peso corporal por dia.

Durante os períodos de condicionamento e trabalho pesado, as necessidades energéticas de cães individuais aumentarão acima daquela da manutenção. Os padrões calóricos para os cães de trabalho foram desenvolvidos fazendo-se cães de trabalho (treadmill dogs) correr o equivalente a 32 Km por dia em um ambiente a -4.4ºC e com uma umidade relativa de 50% aproximadamente. Os cães de trabalho requerem mais ingestão de energia por quilo de peso corporal durante os períodos em que estão treinando ou trabalhando. Os cães de trabalho incluem cães de caça durante a estação de caça, cães de corrida, cães pastores ou qualquer animal que corra, regularmente, longas distâncias. Quando o animal não está treinando ou trabalhando, eles não têm necessidades calóricas elevadas e uma alimentação do tipo para manutenção pode ser administrada. Dar alimentos com elevado teor calórico e densos em nutrientes aos cães quando eles não estão treinando ou trabalhando poderia contribuir para um ganho de peso excessivo, a menos que ajustes apropriados sejam feitos na quantidade fornecida.

Como a energia é requerida para todos os processos corporais, os animais comem para atender suas necessidades energéticas. Como resultado disto, a ingestão de todos os nutrientes é influenciada pela quantidade de calorias presentes na dieta. Geralmente, o teor calórico da dieta limita a quantidade de alimento que um animal consome. Os fabricantes de Alimentos para cães e gatos bem conceituados levam isto em consideração ao formularem Alimentos para cães e gatos completos e balanceados.

Água

Todos os animais dependem da água para os processos da vida. A água é encontrada dentro e fora das células e está envolvida na maioria das reações bioquímicas dentro organismo. Os déficits de água são incompatíveis com a boa saúde. A água é o nutriente mais importante para a sobrevivência a curto prazo, sendo negligenciada com demasiada freqüência.

A água é essencial para ajudar a regular a temperatura corporal, a lubrificação dos tecidos corporais e como um meio fluido para os sistemas sangüíneos e linfáticos. Como a água está envolvida em, praticamente, todas as reações no interior do organismo do animal, qualquer grande desvio estará associado a efeitos adversos. Portanto, o organismo de um animal tem vários sistemas destinados a manter um balanço hídrico constante.

A ingestão de água é controlada pela sede, fome, atividade metabólica (trabalho, gestação, lactação, crescimento) e meio ambiente (umidade e temperatura).

Os animais obtêm água da água que eles bebem, do fluido ingerido com os alimentos e da água gerada pelos processos metabólicos no organismo.

A água é expelida na urina, fezes, respiração e, numa pequena medida, em escamas da pele, na saliva e nas secreções nasais. No caso das fêmeas lactantes, a água também é requerida para a produção de leite.

A necessidade de água de um animal é determinada, em grande parte, pela quantidade de alimento que ele consome cada dia. Segundo uma orientação geral, os animais requerem 1 ml de água para cada kcal de energia. Portanto, um cão que precise de 1000 kcals por dia requereria 1000 ml de água ou, aproximadamente, 1 quarto. Alguns animais precisariam de uma quantidade maior do que esta e outros, uma quantidade menor, razão porque se recomenda, usualmente, que os cães tenham uma fonte de água fresca e limpa disponível durante todo o tempo.

Fontes de Água

Os animais obtêm água principalmente através da água potável, da água contida nos alimentos e como resultado do metabolismo dos carboidratos, proteínas e gorduras. Cerca de 15g de água são produzidos para cada 100 kcals de calorias metabolizáveis. Assim, um cão que consuma 2000 kcals metabolizáveis de alimento por dia pode gerar cerca de 200 a 250 g de água.

Consumo de Alimento e Água

À medida em que a ingestão de alimento aumenta, a ingestão de água de um animal também aumenta. Quando o teor de água de uma dieta aumenta, o animal, usualmente, bebe menos água. Portanto, os animais que consomem dietas enlatadas, que contêm cerca de 70-75% de água, geralmente, bebem menos água do que os animais que consomem dietas secas, que contêm cerca de 8-12% de água.

Proteína

A proteína é um nutriente essencial e desempenha numerosas funções no organismo, inclusive funções de desenvolvimento muscular, reparo tecidual, enzimáticas, sangüíneas, imunológicas, hormonais e energéticas. As proteínas são definidas como grupos de aminoácidos ligados entre si em diferentes quantidades e seqüências. Cada proteína tem uma combinação precisa de aminoácidos que é específica para aquela proteína e a disposição dos aminoácidos determina a natureza específica de uma proteína. As proteínas dietéticas que são digeridas no estômago e intestino delgado são decompostas para formar aminoácidos livres que são, então, absorvidos na corrente sangüínea. Os aminoácidos são distribuídos por todas as células do organismo onde eles são utilizados para construir as proteínas corporais.

Mais de vinte aminoácidos são envolvidos na síntese de proteínas no organismo. Dez destes aminoácidos são essenciais para os cães porque eles não podem ser formados de forma suficientemente rápida ou em quantidades suficientes para atender às necessidades do crescimento e manutenção e, portanto, devem ser fornecidos na dieta. Aminoácidos não-essenciais são aqueles que o organismo pode produzir em quantidades suficientes, a partir de outros nutrientes e metabólitos, e, assim, não precisam ser fornecidos na dieta.

Embora os aminoácidos essenciais não sejam armazenados como tal no organismo por nenhum período de tempo significativo, eles são constantemente metabolizados pelo cão. Conseqüentemente, eles devem ser fornecidos, simultaneamente, nas proporções apropriadas, na dieta de um animal de estimação. Os aminoácidos essenciais incluem:

  • arginina

  • histidina

  • isoleucina

  • leucina

  • lisina

  • metionina

  • fenilalanina

  • treonina

  • triptofano

  • valina

Necessidades de Proteína dos Cães

A necessidade de proteína de um cão depende da etapa da vida e atividades do cão. Geralmente, os filhotes precisam de mais proteína dietética do que os cães adultos. As necessidades calóricas também são elevadas durante as fases do crescimento e as necessidades de proteína de um filhote podem ser atendidas por uma proteína de alta qualidade que forneça 20 a 25% das calorias dietéticas.

As pesquisas mostraram que a necessidade de proteína mínima para os cães geriátricos é, aproximadamente, 50% maior do que para os cães adultos mais jovens. Entretanto, as dietas formuladas para a manutenção dos cães adultos, usualmente, fornecem a proteína adequada. As pesquisas mostraram que o cão geriátrico saudável utiliza a proteína de forma semelhante ao cão adulto.

Uma deficiência protéica severa nos cães resulta em uma ingestão de alimentos deficiente, retardo do crescimento ou perda de peso, concentrações subnormais de proteínas sangüíneas, definhamento muscular, emaciação e morte. Uma deficiência menos severa pode causar uma pelagem áspera e sem brilho, função prejudicada do sistema imunológico e produção deficiente de leite em fêmeas prenhes. Os animais mantidos com reservas inadequadas de proteína podem parecer saudáveis, mas são extremamente susceptíveis a estresses e apresentam uma maior susceptibilidade a infecções e aos efeitos de compostos tóxicos ou agentes cancerígenos.

Durante os períodos de estresse, a necessidade de proteína pode aumentar. Por exemplo, um alimento para cães contendo mais de 1600 kcals por quilo de alimento e, pelo menos, 21% de proteína (alimento para cães do tipo seco) é recomendado para a reprodução. Os cães de trabalho requerem uma dieta com níveis mais elevados de calorias e gordura. Normalmente, como o nível de calorias de uma dieta aumenta, o teor de proteína também é aumentada.

As dietas para redução de peso (ou de baixo teor de calorias) formuladas para cães sedentários têm um teor mais baixo de gordura e calorias e podem ter um nível mais baixo de proteína. Tais dietas também podem conter uma percentagem mais baixa de fibra bruta. Um alimento para animais de estimação destinado à redução de peso não é apropriado para filhotes jovens em crescimento ou fêmeas lactantes.

Fontes

As proteínas provêm tanto de fontes animais como de fontes vegetais. As proteínas em sua maioria contêm quantidades inadequadas de um ou mais aminoácidos e são mal utilizadas como a única fonte para atender às necessidades de proteína. A exceção a esta regra são as proteínas do leite e do ovo. Portanto, é importante nivelar estas deficiências e/ou excessos de aminoácidos quando da seleção de ingredientes para uso em dietas de Alimentos para cães e gatos. Por exemplo, farinha de soja e milho complementam-se um ao outro perfeitamente porque os aminoácidos que são deficientes em um estão presentes no outro. Nem a carne e nem a farinha de soja é uma proteína ideal, porém, qualquer uma delas pode ser adequada se fornecida em combinação com uma outra fonte complementar de aminoácidos.

As fontes de proteína vegetal são completamente satisfatórias para todas as fases da vida de um cão se elas forem processadas de forma apropriada e quando razões de aminoácidos balanceadas estiverem presentes. Portanto, os fatores de digestibilidade e níveis de aminoácidos determinam a qualidade da proteína.

Digestibilidade da Proteína

Para avaliar os níveis de proteína dos diferentes alimentos de animais de estimação, dois fatores devem ser considerados. Um fator consiste do nível de proteína e o outro, da digestibilidade da proteína, ou a disponibilidade da proteína para um animal, que se pode determinar apenas por estudos de alimentação controlados. Duas dietas podem ter o mesmo nível de proteína indicado em suas embalagens, mas os resultados dos estudos sobre a digestão dos animais podem indicar níveis muito diferentes da digestibilidade da proteína. Por exemplo, um alimento para animais de estimação contendo 21% de proteína com 85% de digestibilidade forneceria quantidades de proteína iguais às de uma dieta contendo 23% de proteína com 78% de digestibilidade.

Além do nível de proteína de um alimento para animais de estimação, também é importante o controle de qualidade durante o processamento do mesmo. As proteínas podem ser danificadas pelo processamento térmico, mas os fabricantes de Alimentos para cães e gatos mais bem conceituados empregam métodos de cozimento adequados e medidas de controle de qualidade a fim de assegurar que os produtos sejam feitos da forma apropriada. Como as informações sobre a digestibilidade da proteína não podem ser apresentadas nos rótulos dos Alimentos para cães e gatos, a reputação do fabricante é importante.

Excessos e Deficiências

Nos animais alimentados com dietas contendo mais proteína do que o necessário, a proteína extra é metabolizada e utilizada como energia. Ao contrato da gordura, o excesso de proteína não é armazenada como tal no organismo. Uma vez atendida a demanda de aminoácidos e preenchidas as reservas de proteína, a energia protéica poderia, potencialmente, ir para a produção de gordura.

A proteína é um nutriente essencial. Os animais alimentados com dietas com teor demasiado baixo em proteína podem desenvolver sintomas de deficiência. Tais sintomas podem incluir um apetite diminuído, crescimento deficiente, perda de peso, pelagem áspera e sem brilho, função imunológica diminuída, desempenho reprodutivo mais baixo e uma menor produção de leite.

Carboidratos

Os carboidratos são açúcares, amidos e fibra dietética. Os açúcares simples são as menores moléculas de açúcar e são facilmente digeridos e absorvidos. Ao contrário, os carboidratos complexos, ou amidos, são combinações de açúcares simples formando longas cadeias que requerem mais digestão antes de poderem ser absorvidas na corrente sangüínea. As fibras dietéticas são carboidratos que não são completamente digeríveis.

Basicamente, os carboidratos são fornecidos na dieta através de grãos de cereais e açúcares simples, tais como glicose, sacarose (açúcar de mesa) e lactose (açúcar do leite).

O local básico da digestão dos carboidratos é no intestino delgado, onde tais compostos complexos são decompostos em glicose (um açúcar simples). A maioria dos carboidratos nos alimentos de cães é decomposta e absorvida como glicose. A glicose é a fonte normal de energia utilizada pela maioria das células no organismo.

Quando os animais consomem dietas contendo mais carboidratos do que o necessário, o excesso da energia de carboidrato é armazenado na forma de glicogênio no fígado e músculos e convertido em gordura e armazenado nos tecidos adiposos. Durante os períodos de jejum, estresse ou exercício, o glicogênio é decomposto em glicose e levado até a corrente sangüínea, onde ele é distribuído a todos os tecidos corporais.

Funções

A função básica dos carboidratos é fornecer energia. Os carboidratos são digeridos por enzimas no intestino delgado. A maioria dos carboidratos nas rações dos cães é composta e absorvida como glicose ou outros açúcares antes de ser utilizada como energia.

Necessidades

As pesquisas mostraram que as fêmeas prenhes apresentam um melhor desempenho com alguns carboidratos em sua dieta, enquanto que as fêmeas prenhes alimentadas com dietas sem carboidratos tiveram problemas ao parir e não pariram filhotes fortes e saudáveis. Embora não tenham sido determinadas quaisquer necessidades específicas mínimas de carboidratos para as dietas dos cães, eles proporcionam uma fonte de calorias digerida e metabolizada.

Ingredientes de Carboidratos

Os carboidratos podem perfazer 40 a 55% das dietas secas. Uma grande parcela dos carboidratos nos alimentos para animais de estimação se origina de grãos de cereais. Usualmente, os grãos de cereais são processados através de moagem, floculação ou cozimento. Tais processos melhoram a palatabilidade e digestibilidade.

Eis uma lista de Fontes de Carboidratos típicas encontradas nos alimentos para animais de estimação:

  • Grãos de cereais

  • Produtos de Moagem

  • Produtos Lácteos

  • Milho

  • Farinha de Glúten de Milho

  • Leite Desnatado

  • Seco Aveia

  • Farinha de Aveia

  • Soro de Leite

  • Seco Trigo

  • Restolho de Trigo

  • Arroz

  • Casca de Arroz

  • Cevada

  • Fibra

A fibra é o termo geral empregado para descrever os carboidratos complexos que não são digeridos pelas enzimas no intestino delgado dos cães. Algumas fibras podem ser parcialmente degradados pela microflora normal no intestino grosso. Os componentes da fibra incluem, pelo menos, quatro componentes principais que são distintamente diferentes em termos químicos: celulose, hemicelulose, lignina, pectina e outros, tais como gomas, ceras, mucilagens e cutina. Estes componentes são encontrados nas paredes celulares das plantas. Em geral, quanto maior for a quantidade destes componentes, mais fortes serão as paredes celulares das plantas (isto é, mais fibrosas).

A fibra dietética tem numerosos efeitos no interior do trato gastrintestinal. Algumas fibras incham com a água ou têm uma alta capacidade de reter água (a quantidade de água que pode ser absorvida por um peso unitário de fibra seca até o ponto em que não há nenhuma água livre). Uma alta ou baixa capacidade para reter água pode alterar a velocidade com que a dieta passa através do trato intestinal. O maior volume dietético dos alimentos com alto teor de fibra contribui para a distensão do estômago e leva o animal a ingerir menos calorias. A fibra influi na velocidade com que o alimento passa através do intestino ao diminuir a velocidade do esvaziamento do estômago, mas os efeitos específicos variam segundo o tipo da fibra, a forma como ela é processada e a quantidade fornecida. Em geral, a fibra tem um efeito normalizador sobre a velocidade com que o alimento passa através do intestino, diminuindo a velocidade em animais com diarréia e aumentando-a em animais com constipação. A fibra dietética também retarda ou diminui a digestão e absorção dos nutrientes, inclusive da gordura, vitaminas e minerais. Como um mecanismo protetor, a fibra pode aderir a algumas toxinas e impedir sua absorção na corrente sangüínea.

O excesso de fibra dietética está associado a efeitos adversos, tais como a produção de fezes soltas, flatulência, aumento do volume de fezes e da freqüência da evacuação e uma menor densidade calórica dietética.

Diabetes Mellitus

O Diabetes Mellitus é uma doença do metabolismo do carboidrato resultante da secreção inadequada de insulina do pâncreas. A doença é caracterizada por um aumento da sede, aumento do apetite, fraqueza, p de preferência, e aumento da urinação. Esta doença não é o resultado da ingestão excessiva de carboidratos, mas sim da secreção pequena demais de insulina do pâncreas. Os baixos níveis de insulina impedem que o açúcar no sangue penetre nas células dos músculos e de gordura onde ela seria utilizada como energia. Isto leva a uma maior utilização da gordura como energia enquanto que o açúcar acumula-se no sangue e termina sendo derramado na urina. Embora o uso da gordura como energia possa parecer vantajosa, ele gera subprodutos que o organismo não pode utilizar ou dos quais ele não pode se livrar.

Malabsorção de Carboidratos

Os carboidratos dietéticos devem ser reduzidos a açúcares simples pela ação das enzimas no intestino, antes da absorção. Os carboidratos que não são completamente digeridos causam (ou estão associados a) um distúrbio gastrintestinal persistente, inclusive gás e/ou diarréia. O problema de mal absorção de carboidratos mais comum consiste de uma deficiência da lactase, que é a enzima requerida para decompor a lactose, o açúcar encontrado no leite. Os filhotes têm capacidade para digerir a lactose encontrada no leite, todavia, muitos animais adultos sofrem de diversos graus de deficiência de lactase. Os cães, em sua maioria, podem tolerar a pequena quantidade de lactose encontrada nos alimentos para animais de estimação (como o leite desnatado ou soro seco de leite), porém, podem ter dificuldade para digerir a lactose em uma vasilha cheia de leite natural.

Gordura

As gorduras são formas concentradas de energia. Comparadas com as proteínas e carboidratos, as gorduras contêm, aproximadamente, duas vezes e meia a quantidade de energia por quilo. A gordura dietética, em sua maior parte, é composta de triglicerídeos, que é um grupo de três ácidos graxos. Os ácidos graxos podem ser classificados segundo o comprimento de sua cadeia de carbono, a presença ou ausência de ligações duplas, a posição destas ligações ao longo da cadeia de carbono e seu ponto de fusão.

As gorduras sem nenhuma ligação dupla são denominadas gorduras saturadas. As gorduras contendo cadeias de ácidos graxos com uma ligação dupla são chamadas de gorduras insaturadas. Estas últimas podem variar desde uma só ligação dupla na molécula de ácido graxo (monoinsaturada) até ácidos graxos com muitas ligações duplas (poliinsaturada). As gorduras saturadas são, geralmente, sólidas à temperatura ambiente e as gorduras insaturadas são, usualmente, líquidas.

A digestão da gordura é mais complexa do que a digestão da proteína ou carboidrato. Ainda assim, os cães e gatos saudáveis podem digerir gorduras com grande eficiência, aproximadamente, 90-95%.

Necessidade de Gordura

Os cães requerem apenas ácido linoléico. Este ácido graxo essencial não pode ser produzido no organismo e é requerido em quantidades muito pequenas na dieta. As gorduras provenientes de fontes animais e vegetais podem ser utilizadas com uma eficiência quase igual para a produção de energia. Todavia, os óleos vegetais são as fontes mais potentes de ácidos graxos essenciais para os cães.

Funções

A gordura desempenha diversas funções nas dietas dos cães. Primeiramente, ela é uma fonte concentrada de energia. Por exemplo, um quilo de milho moído contém, aproximadamente, 1585 calorias, enquanto que um quilo de gordura animal contém cerca de 4100 calorias. Então, a adição de um pouquinho de gordura acrescenta muitas calorias. A gordura também fornece os ácidos graxos essenciais requeridos pelos cães para manterem sua pele e pelagem saudáveis, bem como serve como um carreador para vitaminas lipossolúveis. Finalmente, a gordura contribui para a palatabilidade de um alimento para animais de estimação.

Excessos e Deficiências

Em animais alimentados com dietas contendo mais gordura do que o necessário, a gordura extra é, geralmente, armazenada no organismo dentro do tecido adiposo ou das reservas de gordura. Se uma quantidade suficiente de gordura for acumulada no decorrer do tempo, os animais ficarão obesos. Os animais com excesso de peso podem correr um risco maior de complicações nas cirurgias, bem como diversos problemas de saúde, inclusive algumas doenças ortopédicas, e diabetes mellitus.

Embora sejam raras as deficiências de ácidos graxos, os animais alimentados com dietas com um teor de gordura demasiado baixo podem acabar desenvolvendo sintomas de deficiência. Os sinais incluiriam pêlos secos e ásperos e pele escamosa, seca e grossa. Uma dieta sintética completamente sem gordura não sustentaria um filhote em crescimento por mais de algumas semanas.

Minerais

Os minerais são moléculas relativamente simples em comparação com outros nutrientes, que podem ser grandes e complexos. As questões nutricionais relativas aos minerais incluem a quantidade de cada um na dieta, o equilíbrio apropriado de todos os minerais e a disponibilidade de minerais no alimento do animal.

Os minerais desempenham muitas funções diferentes no organismo, tais como formação de ossos e cartilagens, reações enzimáticas, manutenção do balanço de fluidos, transporte de oxigênio no sangue, função normal de músculos e nervos e a produção de hormônios. Embora a função de alguns minerais possa ser separada da função de outros minerais, é impossível nutrir um animal adequadamente sem lhe fornecer todos os minerais em suas proporções apropriadas. Isto se deve ao fato de que os minerais interagem em muitos aspectos do funcionamento e manutenção do organismo.

A suplementação de qualquer mineral específico pode criar desequilíbrios e, possivelmente, afetar a saúde nutricional de um animal. Os fabricantes que produzem Alimentos para cães e gatos de boa qualidade mantêm uma margem de segurança para todos os nutrientes essenciais na formulação do produto a fim de compensar qualquer perda durante o processamento e armazenamento normais e a variação nas necessidades dos animais individuais.

As situações que requerem uma suplementação devem ser atendidas por um veterinário. A suplementação pode, algumas vezes, ser necessária para corrigir uma deficiência específica resultante da incapacidade de um cão para utilizar o nível normal de um determinado nutriente.

Os minerais são, usualmente, agrupados em categorias macro e micro. Os macro-minerais são necessários em maiores quantidades na dieta e encontrados em maiores quantidades no organismo do que os microminerais.

Macro-minerais

  • Cálcio (Ca)

  • Fósforo (P)

  • Sódio (Na)

  • Cloreto (Cl)

  • Potássio (K)

  • Magnésio (Mg)

  • Enxofre (S)

Micro-minerais

  • Ferro (Fe)

  • Zinco (Zn)

  • Cobre (Cu)

  • Manganês (Mn)

  • Selênio (Se)

  • Iodo (I)

  • Cálcio e Fósforo

O cálcio e fósforo são minerais essenciais na dieta dos cães e são necessários para o desenvolvimento normal dos ossos. Estes minerais proporcionam rigidez aos ossos e dentes, ajudam na coagulação sangüínea normal e no controle da passagem dos fluidos para as paredes das células e são necessários para a excitabilidade dos nervos. Uma deficiência de cálcio e fósforo, especialmente durante o primeiro ano da vida de um filhote, resultará na fraqueza dos ossos e/ou deformidades esqueléticas, tais como raquitismo. Além de cálcio e fósforo, o osso contém pequenas quantidades de magnésio, sódio, potássio, cloreto, fluoreto e microminerais.

Antes dos Alimentos para cães e gatos completos e balanceados estarem tão amplamente disponíveis no mercado, o raquitismo era comumente visto em animais jovens em crescimento. Este problema ósseo está associado a uma deficiência de cálcio, fósforo ou vitamina D e resulta em ossos moles e deformados, uma vez que eles não se calcificam e nem ficam duros. Atualmente, com os alimentos para animais de estimação comerciais, estas doenças são raras.

Alguns donos e criadores de animais de estimação acreditam que uma quantidade adicional de cálcio (e, possivelmente, outros minerais) deve ser adicionada às dietas das fêmeas prenhes ou lactantes, bem como às dietas dos filhotes em crescimento. Eles acham que, durante estas etapas da vida, um animal de estimação precisa de uma quantidade maior destes minerais. É verdade que mais minerais são requeridos em tais períodos, mas acontece que todos os nutrientes são requeridos em maiores quantidades durante estas mesmas etapas da vida. A melhor forma de obter minerais dietéticos é através de um maior consumo de uma dieta de boa qualidade, completa e balanceada, e não através de suplementos individuais. Por exemplo, muitos filhotes são alimentados com uma mistura de leite, cereais para bebês, vitaminas, ovos e/ou carne antes de serem desmamados. A preparação deste tipo de dieta é dispendiosa e requer muito tempo. E o que é mais importante, ela pode não ser nutricionalmente completa e balanceada, de modo que é muito mais provável que estes animais venham a ter um problema de saúde durante o período de rápido crescimento.

O cálcio e fósforo devem ser incluídos na dieta a uma razão de 1,0 a 2,0 partes de cálcio para cada 1,0 parte de fósforo por peso. Razões maiores podem ser prejudiciais para a calcificação óssea. Por exemplo, quando suplementos (ou Alimentos para cães e gatos que não são completos e balanceados) são fornecidos, a quantidade de fósforo dietético pode exceder a quantidade de cálcio dietético e, então, anormalidades ósseas podem ocorrer.

Sódio e Cloreto

O sódio e cloreto servem, em grande parte, como minerais reguladores de fluidos para ajudar a manter o equilíbrio entre os fluidos dentro e fora das células individuais do organismo. O sódio ajuda na transferência dos nutrientes para as células, na remoção de material residual e na manutenção do balanço hídrico entre os tecidos e órgãos. O cloreto é requerido para a formação de ácido clorídrico (HCl) no estômago, o qual ajuda na digestão da proteína.

Uma deficiência dietética de sódio e cloreto seria extremamente rara, uma vez que a maioria dos animais de estimação são, hoje em dia, alimentados com Alimentos para cães e gatos comerciais. Todavia, deficiências de sódio e cloreto podem resultar de uma diarréia e/ou vomitação severa prolongada (ou crônica). Os animais que sofrerem de diarréia ou vomitação devem ser examinados por um veterinário. O sódio e cloreto consumidos além das necessidades de um animal saudável são, em sua maior parte, filtrados através dos rins e excretados na urina. É altamente improvável que venha a ocorrer uma toxicidade causada pelo excesso de consumo de sódio e cloreto na medida em que os animais tenham acesso a uma água potável de boa qualidade.

Potássio e Magnésio

O potássio é encontrado em altas concentrações dentro das células e é requerido para funções enzimáticas, musculares e nervosas, bem como ajuda a manter o balanço de fluidos em todo o organismo. O potássio é amplamente distribuído nos alimentos, não sendo provável a ocorrência de deficiências na dieta quando os animais de estimação são alimentados com Alimentos para cães e gatos completos e balanceados. Como no caso do sódio e cloreto, a deficiência de potássio pode ocorrer em animais que sofrem de diarréia crônica e/ou vomitação ou outras doenças. Os sintomas de deficiência nos cães incluiriam crescimento deficiente, perda de apetite, fraqueza, perda de peso e desidratação.

O magnésio é importante como um componente estrutural do músculo e do osso e desempenha um papel chave em muitas reações enzimáticas em todo o organismo. Alguns atributos do magnésio também são comuns ao cálcio, potássio e sódio. O cálcio e o fósforo influenciam no balanço do magnésio, porque as elevadas quantidades de cálcio ou fósforo diminuem a absorção do magnésio a partir do trato intestinal.

O teor de magnésio do Alimentos para cães e gatos depende dos ingredientes, além do que o magnésio não é, usualmente, adicionado na forma suplementar. A deficiência de magnésio dietético não é provável em cães saudáveis que consomem Alimentos para cães e gatos comerciais. A dietas típicas contêm magnésio dietético dentro da faixa de 0,05 a 0,2%.

Ferro

Embora os organismos dos animais contenham apenas cerca de 0,004% de ferro, este mineral desempenha um papel central nos processos da vida. Uma pequena quantidade de ferro (heme) se combina com uma grande proteína (globina) para produzir hemoglobina, o composto transportador de oxigênio nos glóbulos vermelhos. O ferro é um componente de muitas enzimas e transportadores de oxigênio diferentes, porém, mais da metade do ferro presente no organismo encontra-se na forma do pigmento do glóbulo vermelho, a hemoglobina. O ferro também é um componente das enzimas requeridas para a utilização da energia.

O ferro é absorvido, basicamente, a partir do intestino delgado. A absorção deste mineral é rápida. Os glóbulos vermelhos e sua hemoglobina estão sendo constantemente destruídos e substituídos durante toda a vida, particularmente, durante o crescimento. Nos cães, o tempo de vida médio dos glóbulos vermelhos é de, aproximadamente, 110 dias.

A anemia é um resultado bem conhecido de uma deficiência de ferro. Na anemia, o número ou tamanho dos glóbulos vermelhos é reduzido. Também podem ocorrer alterações no teor de hemoglobina. Os sintomas da anemia incluem uma diminuição na velocidade do crescimento, fraqueza e maior susceptibilidade ao estresse ou doenças. As causas da anemia podem ser bem diferentes, porém, as anemias nutricionais não são comuns em animais de estimação alimentados com Alimentos para cães e gatos completos e balanceados. Certos fatores podem resultar em anemia nutricional devido à deficiência de ferro durante o período da amamentação dos filhotes. Uma dieta maternal deficiente em ferro durante a gestação influencia na reserva (ou reservas) de ferro do recém-nascido. A administração de ferro suplementar à fêmea lactante não é útil, uma vez que este tratamento não aumenta o teor de ferro do leite.

O ferro e o cobre, juntamente com a vitamina B12, são essenciais para a prevenção da anemia nos cães. Os Alimentos para cães e gatos comerciais, em sua maioria, contêm uma forma altamente disponível de ferro suplementar a fim de ajudar a atender às necessidades dietéticas, de modo que não é necessária nenhuma suplementação. O excesso de ferro na dieta pode interferir na absorção do fósforo ao formar um fosfato insolúvel.

Zinco

O zinco é importante na produção de proteínas e de um sistema imunológico funcional. Alguns sistemas enzimáticos também dependem do zinco, inclusive enzimas que protegem as células contra os danos causados pela oxidação. O zinco está presente nas rações naturais, em grande parte como complexos de zinco-proteína. Entretanto, sua disponibilidade e nível são tais que ele, normalmente, tem que ser suplementado nos Alimentos para cães e gatos comerciais para cães. Sabe-se que compostos tais como os fitatos, e também algumas fibras, diminuem a disponibilidade do zinco dietético para o animal. A absorção do zinco ocorre, basicamente, no intestino delgado e é relativamente ineficiente, uma vez que apenas 5 a 40% de zinco são absorvidos.

As deficiências de zinco são raras nos cães alimentados com dietas completas e balanceadas. As dermatoses caninas que respondem ao zinco são caracterizadas pela pele escamosa em torno dos olhos, beiços, unhas e almofadas plantares. Esta síndrome foi registrada em cães, especialmente filhotes de várias raças diferentes. Foi mostrado que a dermatose responde, de forma impressionante, dentro de uma a duas semanas, a níveis terapêuticos de zinco, todavia, a administração de zinco suplementar só deve ser feita sob a orientação de um veterinário. Uma versão adulta deste problema de saúde ocorre em certas raças. Estes animais não podem metabolizar zinco dietético da forma apropriada.

O zinco é considerado como sendo relativamente não-tóxico, mas o principal efeito do excesso de zinco dietético a longo prazo é a diminuição da absorção e armazenamento do cobre. Portanto, a deficiência de cobre e a deficiência de ferro secundária podem ser induzidas pelo excesso de ingestão de zinco durante um longo tempo.

Manganês

O manganês é um elemento metálico empregado pela indústria como uma liga no aço a fim de lhe dar rigidez. Em nutrição, o manganês é um elemento essencial para muitas espécies animais. O nome, manganês, vem do latim, significando uma pedra magnética, a magnésia.

O manganês ocorre no organismo principalmente no fígado, todavia, ele também está presente, em quantidades apreciáveis, nos rins, pâncreas e ossos. As concentrações mais baixas encontram-se no músculo esquelético. Apesar do pequeno suprimento total no organismo, este elemento desempenha diversas funções essenciais que envolvem o metabolismo da proteína e do carboidrato e reprodução. Mais especificamente, o manganês é considerado como sendo ativador dos sistemas de enzimas envolvidos na produção de energia, na síntese de ácidos graxos e no metabolismo de aminoácidos. As funções do manganês, cobre, zinco e ferro podem ser intercambiáveis em certos sistemas de enzimas.

Além do manganês fornecido por ingredientes típicos nos Alimentos para cães e gatos, os fabricantes também adicionam manganês suplementar em uma mistura de microminerais aos seus produtos. Portanto, a maioria dos Alimentos para cães e gatos nutricionalmente completos e balanceados, de boa qualidade, contém níveis adequados de manganês. Como no caso do magnésio, sabe-se que o excesso de cálcio e fósforo interfere na absorção do manganês a partir do trato intestinal.

Cobre

A absorção do cobre é, geralmente, maior (60 a 70%) nos animais mais jovens do que nos animais mais velhos (10 a 20%). Este mineral é absorvido do estômago e intestino delgado dos cães e armazenados, principalmente, no fígado, rins e cérebro. A disponibilidade do cobre dietético natural é reduzido pelos fitatos, pelos altos níveis de ácido ascórbico (vitamina C), pelos níveis aumentados de cálcio, zinco, ferro e enxofre e por alguns metais tóxicos, tais como cádmio, prata ou chumbo.

A importância do cobre no organismo varia bastante porque ele está envolvido na formação do colágeno e do tecido conjuntivo elástico, no desenvolvimento e maturação dos glóbulos vermelhos, nas funções antioxidantes, bem como no fornecimento da pigmentação para os pêlos e penugem.

As deficiências de cobre são raras nos cães. Um problema específico no metabolismo do cobre de algumas raças de cães pode resultar em sintomas de toxicidade do cobre. Foi mostrado que os cães Bedlignton terriers, West Highland White terriers e Doberman pincher sofrem deste distúrbio genético que leva o cobre a acumular-se no fígado. Os cães que pareçam sofrer deste distúrbio devem ser examinados por um veterinário.

Selênio

Este micromineral é um membro da família que inclui tanto o oxigênio como o enxofre. Ele foi um dos poucos nutrientes a serem identificados como uma substância tóxica muito antes de se ter descoberto que ele é um nutriente essencial para os animais. Embora o selênio seja requerido na menor quantidade de qualquer dos microminerais geralmente aceitos, ele também é o mais tóxico. O selênio funciona, basicamente, em conjunto com a vitamina E para atuar como um antioxidante no organismo.

As plantas com alto teor de proteína, como, por exemplo, os cereais, constituem uma fonte melhor de selênio natural do que as frutas e vegetais com baixo teor de proteína. Os produtos da carne nos Alimentos para cães e gatos também podem ser utilizados para atender à necessidade deste micromineral. As deficiências de selênio são extremamente raras nos cães. As toxicidades do selênio nos cães também são raras, mas poderiam ocorrer se a ingestão dietética ultrapassasse 2 ppm (partes por milhão) por períodos de tempo prolongados. Os sinais de toxicidade incluem perda de pêlo, fraqueza, sensibilidade e anemia.

Iodo

O único papel metabólico conhecido do iodo dietético está na produção de hormônios tiroidianos pela glândula tiróide. A função principal destes hormônios é regular e influenciar nas taxas metabólicas basais do organismo (por exemplo, quão rapidamente um animal metaboliza ou queima as calorias após a ingestão de uma refeição). Sem a glândula tiróide ou o funcionamento adequado destes hormônios, um animal apresentaria um crescimento deficiente, perda de pêlos, ganho de peso e extrema fraqueza.

Muitas rações naturais não contêm iodo suficiente para atender às necessidades dos cães. As formas suplementares de iodo inorgânico empregadas em Alimentos para cães e gatos comerciais incluem iodeto de potássio, iodato de potássio, iodeto de sódio e iodato de cálcio.

Vitaminas

O reconhecimento científico da existência das vitaminas no início do Século XX resultou dos esforços de alguns pesquisadores trabalhando independentemente em vários países. Eles reconheceram que as dietas compostas de ingredientes purificados não eram capazes de sustentar a vida de animais experimentais de laboratório e tiveram a curiosidade de descobrir o porquê. O isolamento das vitaminas e a definição de suas funções no organismo, a descoberta do valor terapêutico das quantidades diminutas e o perfil de nutrientes dos ingredientes com respeito às vitaminas afetaram profundamente a nutrição animal (e humana!).

Comparadas com os outros grupos de nutrientes, as vitaminas são requeridas nas menores quantidades. E, ao contrário dos minerais, as vitaminas são substâncias complexas. As vitaminas são classificadas ou como lipossolúveis (vitaminas A, D, E, K) ou hidrossolúveis (vitaminas B e vitamina C). As vitaminas lipossolúveis dependem da presença da gordura dietética e da absorção normal da gordura para sua absorção e utilização no organismo. As vitaminas hidrossolúveis simplesmente dependem da presença da água para a absorção.

Da mesma forma que muitos dos outros nutrientes discutidos até aqui, as vitaminas trabalham em conjunto com outras vitaminas e nutrientes para nutrir o animal. Por esta razão é importante proporcionar quantidades balanceadas de vitaminas e outros nutrientes em dietas completas. A adição de suplementos às dietas que já são completas e balanceadas pode gerar desequilíbrios com efeitos prejudiciais. Convém lembrar que os ovos contêm uma excelente fonte de proteína e os cães, normalmente, gostam deles. Todavia, a adição repetida de ovos crus à dieta de um animal de estimação pode causar uma deficiência da vitamina biotina. As claras de ovo cru contêm uma enzima que destrói a biotina. Os sintomas da deficiência de biotina incluem perda de pêlos e crescimento deficiente. Os óleos de fígado de bacalhau e germe de trigo são considerados como boas fontes das vitaminas D e E. Entretanto, o excesso de óleo de fígado de bacalhau pode fornecer mais vitamina D do que um animal requer e, no decorrer de um longo período de tempo, isto poderia resultar em distúrbios esqueletais ou calcificação (endurecimento) dos tecidos moles. Não são necessários quaisquer suplementos de minerais ou vitaminas ou suplementos para animais saudáveis que consomem um Alimentos para cães e gatos completo e balanceado. A adição de suplementos apresenta o risco de gerar um desequilíbrio dos níveis de minerais já presentes no Alimentos para cães e gatos.

VITAMINAS LIPOSSOLÚVEUS

Vitamina A

A vitamina A tem sido o assunto de muita pesquisa nos campos da nutrição animal e medicina veterinária. A vitamina A desempenha algumas funções necessárias para a saúde e o bem-estar dos animais, inclusive um papel na visão normal, no crescimento, no funcionamento do sistema imunológico e na reprodução. A fonte da vitamina A vegetal é o beta-caroteno, que os animais devem converter na vitamina efetiva antes dele tornar-se ativo e funcionar como vitamina A. Os cães são capazes de utilizar o caroteno eficientemente.

Os casos clínicos de deficiência de vitamina A nos cães são incomuns. Isto se deve, provavelmente, ao fato de que eles são capazes de consumir quantidades suficientes da vitamina através das dietas comerciais. Além disto, os animais são capazes de armazenar a vitamina A no fígado e utilizar estas reservas durante períodos de consumo inadequado, como, por exemplo, no caso de uma doença debilitante.

Os Alimentos para cães e gatos comerciais contêm quantidades adequadas de vitamina A, de modo que não é necessária nenhuma suplementação. O excesso de suplementação de vitamina A pode causar uma toxicidade no animal e resultar em ossos deformados, perda de peso, anorexia e até mesmo morte. A toxicidade ocorre quando uma ingestão excessiva crônica ultrapassa a capacidade do fígado de armazenar a vitamina ou quando grandes doses de curta duração excedem a capacidade do fígado de remover a vitamina da circulação de um animal. A fim de evitar que a toxicidade se desenvolva, suplementos vitamínicos não devem ser dados a menos que sejam recomendados e supervisionados por um veterinário.

Vitamina D

Embora a vitamina D (colecalciferol) seja considerada uma vitamina, ela também é considerada um hormônio, sendo um dos três principais hormônios envolvidos na regulação do cálcio no organismo. Suas funções básicas são ajudar na mineralização do osso e aumentar a absorção do cálcio e fósforo a partir do intestino. A vitamina D pode ser obtida na dieta ou pode ser convertida na pele após exposição à radiação ultravioleta da luz solar. Sem um teor adequado da vitamina D na dieta, os filhotes novos, em crescimento, podem desenvolver raquitismo, uma doença em que os ossos não são mineralizados, permanecendo moles ou tornando-se quebradiços.

Os Alimentos para cães e gatos comerciais fornecem quantidades adequadas de vitamina D, de forma que não é necessária nenhuma suplementação. Como a vitamina A, os óleos de fígado ou peixe são ricas fontes de vitamina D, devendo-se ter cuidado ao se intensificar a palatabilidade das dietas comerciais com altos níveis destes suplementos. Quantidades excessivas de vitamina D fornecidas durante longos períodos de tempo podem resultar na mineralização (ou endurecimento) dos tecidos moles do organismo, tais como o coração e os rins.

Vitamina E

A vitamina E é uma expressão empregada para descrever uma família de compostos químicos denominados tocoferóis, derivada de palavras gregas que significam "gravidez", que se refere ao seu papel na reprodução. Ela também é conhecida por sua ação como antioxidante biológico. Os tocoferóis encontram-se nos óleos vegetais, particularmente em associação com os óleos poliinsaturados provenientes de sementes, tais como óleos de girassol e germe de trigo, ou óleo de soja. A falta de vitamina E na dieta pode resultar em danos à parede ou membrana das células em todo o organismo. Como nutriente, a vitamina E funciona em conjunto com outros nutrientes (selênio, um micromineral, e cisteína, um aminoácido), como um antioxidante para minimizar os danos da oxidação às células.

Alguns tocoferóis são mais ativos no organismo como nutrientes do que outros. A forma alfa da vitamina é a mais ativa como nutriente e é o composto adicionado ao Alimentos para cães e gatos para atender à necessidade dietética do animal. Quando a vitamina E é utilizada como conservante, uma mistura de diversas formas de tocoferol é adicionada a fim de evitar a oxidação da gordura na dieta. A forma de tocoferol mais eficaz na prevenção da oxidação da gordura nos alimentos tem uma baixa atividade biológica e não é considerada como parte do teor de nutrientes da dieta.

Não há nenhuma toxicidade conhecida que seja causada pela ingestão de vitamina E nos animais. Os Alimentos para cães e gatos comerciais de boa qualidade contêm quantidades adequadas desta vitamina a fim de atender às necessidades dietéticas de um animal.

Vitamina K A vitamina K foi a última das quatro vitaminas lipossolúveis a ser descoberta. As formas mais comuns da vitamina K na dieta são a menadiona e a filoquinona, que provêm das plantas e vegetais verdes e folhosos. A principal função desta vitamina é como um agente coagulante dentro do sangue. Como a necessidade dietética da vitamina K é tão baixa, jamais foi registrada uma deficiência natural ou espontânea em cães. Os Alimentos para cães e gatos comerciais proporcionam quantidades adequadas de vitamina K, de modo que não é necessária nenhuma suplementação.

As vitaminas hidrossolúveis do complexo B são aquelas originalmente identificadas como B1, B2, B6, B12 e outras, que são relacionadas abaixo. Tais vitaminas são requeridas em pequenas quantidades na dieta diária e são essenciais para muitas funções importantes no organismo. Embora tais nutrientes não forneçam energia por si sós, eles são de importância crucial no metabolismo de proteínas, carboidratos, e gorduras, que resulta em energia para os processos corporais. Ao contrário das vitaminas lipossolúveis, as vitaminas B não são armazenadas no organismo e devem ser consumidas diariamente. Deficiências de qualquer uma destas vitaminas são extremamente raras em cães saudáveis alimentados com Alimentos para cães e gatos comerciais. Um estado de deficiência pode ocorrer para uma ou mais das vitaminas do complexo B em animais alimentados com dietas preparadas em casa que não são formuladas do modo apropriado ou balanceadas. Os sinais de deficiência incluem perda de apetite, crescimento deficiente, fraqueza, perda de peso e até mesmo morte. Os Alimentos para cães e gatos comerciais proporcionam quantidades adequadas de todas as vitaminas B hidrossolúveis, o que torna a suplementação desnecessária.

Vitaminas Hidrossolúveis do Complexo B

  • Tiamina (B1)

  • Niacina Riboflavina (B2)

  • Ácido Pantotênico Piridoxina (B6)

  • Biotina

  • Vitamina B12

  • Colina

  • Ácido Fólico

  • Inositol

Vitamina C (Ácido Ascórbico)

Esta vitamina também é uma vitamina hidrossolúvel e desempenha um papel metabólico no organismo de todos os mamíferos, que envolve a síntese ou produção do colágeno. Se, por um lado, o ácido ascórbico é essencial na dieta dos seres humanos, por outro lado, os outros primatas e cobaias, bem como os cães não têm nenhuma necessidade dietética desta vitamina. Portanto, é improvável que uma deficiência da vitamina C, conhecida como "escorbuto", ocorra em cães. A suplementação de uma dieta comercial com vitamina C não seria necessária ou útil.

 


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